30 de julho de 2012

gato


nesse útero seco, no mundo,
no atravessar de linhas gastas,
cuidadosos passos não ferem

os lírios róseos
que agora brotam
destes meus pés

o queixo paralelo ao tronco:
a elipse azul e seca cega,
faz um afago imenso e fino
de uma mãe em sala de parto.

em corpo felino, em eixos,
subo este telhado de manta
sob o brilho dourado que canta –
luz loura é quem dá meu aleito:

um sol de pelos no  meu peito
e os batimentos na garganta.