3 de setembro de 2011

canavãs

no onírico espelho, turva de visão
um espelho: onírica câmera, vídeo
                   de visão burca: câmera
                   de visão cubra: boca

uma boca arreganhada ao espelho
luz de visível única ao visualizável
                             à câmera ocular
                             ao plano onírico:
                             planos divisíveis!

aos planos de-visíveis de meu espanto:
a boca cheia d'água desde a garganta
os dentes: bases frementes dos caules
plantas dentais! marginais, flutuantes, cana-vãs:
boca angiospérmica à luz, fremilúcilo.

rendo-me aos caules dos dentes-vegetais
aos solavancos dos talos dentais, bucais
flores pulverizam lago esofagal...

de abelhas e besouros inexistente
aglomerado pólen em veias, bolor:
meu entupidor faríngeo!
de paulatino sofrimento, ex-vaneço
no difícil prover-se... ex-pirante...

arranca-me ar, pele, traqueia, pulmão
faça-me malabar, gargântua, canavã
do processo contínuo da vilta essencial
                                  da progressão Natural
                                  d'entalar de garganta!

ao banal não-sustento de vida carnal,
à Natureza-Boca que in-avança,
elevo-me aos Parnasos, limite vital...
ao último monte de imagem
ao último plano de-visível
ao ensaio fílmico do In-ex-isto:
leveza que se mantém... ex-piro...

Um comentário:

Anônimo disse...

vou demorar um tempo pra pensar esse texto. enquanto isso, palavras: natureza/sonho: beleza horripilante.